terça-feira, 20 de julho de 2010

O home studio

Agradeço a todas as pessoas que visitaram meu blog, espero que a experiência de leitura da minha primeira e breve postagem tenha sido de algum proveito, ao menos para distraí-los por alguns minutos. O fato de ter recebido mais de dez visitas me deu ânimo para fazer mais postagens, então hoje decidi compartilhar com vocês mais opiniões subjetivas e embasadas na minha curta experiência dentro do metal underground.
O tema escolhido hoje, senhoras e senhores, é gravação. Não pretendo entrar em pormenores técnicos, apenas dar linhas gerais de como era infernal fazer uma gravação caseira antigamente, e como a situação passou por uma sensível mudança com a chegada de periféricos de computador voltados para gravação. Vamos começar com uma breve lição de história: os equipamentos de gravação antigamente (dos anos 80 até fim de 90, mais ou menos) eram razoavelmente caros e difíceis de conseguir: gravadores portáteis caseiros que permitiam gravação em vários canais ainda eram artigos que não apresentavam uma fidelidade de som comparável aos estúdios.
Resumo da ópera: quem queria ter um som legal, acabava indo para o estúdio porque não tinha muita escolha, e ainda assim podia não conseguir grandes resultados.
Mesmo assim, estamos falando de metal, e tocar em condições precárias era uma constante para os pioneiros do estilo (e ainda é para algumas bandas hoje em dia).
O primeiro nome que me vem à mente é a banda sueca Bathory: um dia eu peguei emprestado o álbum Blood on Ice com um amigo. Nessa prensagem do álbum havia um longo texto do compositor e músico que manteve a banda por toda sua existência, Ace Thomas Forsberg, mais conhecido como Quorthon, falando sobre as condições sob as quais a banda trabalhou.
O estúdio Heavenshore, no qual alguns dos primeiros álbuns da banda foram gravados, era na maior parte do tempo uma oficina de carros que funcionava em uma garagem(!). No primeiro álbum a bateria possuía somente um bumbo: nessa época não haviam pedais duplos de bateria, logo as poucas partes que possuem bumbo duplo nesse álbum foram gravados com o uso de baquetas(!), sem contar que a bateria foi gravada somente com dois microfones (geralmente, usa-se um microfone para cada tambor, além de dois ou mais microfones para captar a ambiência, o som geral da sala). Esse com certeza não é o único exemplo de uma banda gravando um álbum de metal em condições ruins, mas serve para ilustrar bem as coisas pelas quais uma banda precisa passar quando tem um orçamento baixo.
E já que estamos falando de orçamento baixo, chegamos às minhas experiências de gravação. Aprendi o básico de gravação no computador fuçando juntamente com meu ex-colega de banda Ruben, nos tempos em que tocava em uma banda chamada Veilhalt: foi aí que comecei a descobrir algumas coisas sobre a gravação de guitarra, programação de bateria eletrônica, e uma coisa realmente importante para um cara que toca metal extremo: aprenda a usar o maldito metrônomo!
Com essa banda, chegamos a gravar uma demo em um estúdio de verdade, que possui certo renome. A experiência de já ter gravado em casa diminuiu um bocado a tensão existente da primeira vez que se entra em estúdio, principalmente porque gravar diversas vezes em casa para fazer as linhas-guia (um esboço da música que serve, como o nome indica, para guiar a gravação dos demais instrumentos) fez com que eu estivesse ensaiado.
Bom, essa gravação aconteceu em meados de 2005: em 2006, acabei por sair da banda e me mudar. Passei então a compôr para o meu então futuro projeto de death metal, que é minha banda atual, DISCORDIA. Na época, eu tentava ler o máximo possível para poder saber o que utilizar como equipamento de gravação, além dos diversos tipos de efeitos existentes. Compus uma música completa, vendi o cabelo para poder comprar um baixo e decidi brincar de one-man band. Essa primeira demo, intitulada The ultimate degradation circulou em pouquíssimas cópias em cdr, e com certeza teria uma qualidade um pouco pior do que teve se não fosse o pessoal de outra banda à qual eu fazia parte nessa época, a hoje extinta Shadowlands(infelizmente não tenho registros gravados da Shadowlands). Nosso baterista havia montado um home studio em sua casa, e eu usei a demo da DISCORDIA, até então uma espécie de projeto-solo, como método de aprendizagem para gravação. Tive que bater muita cabeça até descobrir que ganho demais na gravação das guitarras deixava tudo uma merda, e ganho de menos também deixava tudo uma merda: o processo de gravação de três músicas tomou um mês, sendo que na última semana, a da mixagem (parte do processo em que se ajustam os volumes de todos os instrumentos, adicionam-se ecos e coisas do tipo) eu chegava a trabalhar dez horas por dia nas músicas. Hoje em dia, ao ouvir essa primeira gravação, eu sinto certo orgulho, uma vez que esse processo todo apurou meus ouvidos para o meu estilo e ajudou em muito na última incursão da DISCORDIA em estúdio, ocorrida em 2009, agora com uma formação completa. O material que está em nosso myspace é uma prévia dessas sessões de gravação, que ainda não foram lançadas, mas que brevemente verão a luz do dia.
Ok, depois dessa imensa digressão falando do meu próprio umbigo, vamos voltar um pouco ao assunto da gravação em casa: um home studio que suporte a gravação de um álbum inteiro é um tanto quanto salgado para os bolsos brasileiros, mas existem muitos equipamentos com um custo x benefício legal para quem quer fazer demos ou versões mais simples, tanto para aprender a mexer com gravação quanto para poder trabalhar melhor suas composições antes de entrar em estúdio.
Basicamente, é necessário um programa editor de áudio (eu particularmente gosto do Cakewalk Sonar, mas existem muitos outros), memória RAM (quanto mais melhor, lembre-se disso), e alguma maneira de fazer seu instrumento ser ligado ao computador. Isso pode ser feito através de uma placa de áudio interna (a minha é uma audiophile 2496, custou por volta de 400 reais), placa de áudio externa (fica literalmente mais à mão, acabam tendo alguns controles externos de volume ou coisas do tipo, mas são mais caras) ou equipamentos que misturam placa de áudio com processador de efeitos (A empresa line 6 possui alguns desses).
Se você gastou um pouco mais na memória RAM, fica mais fácil usar efeitos de guitarra dentro do próprio programa editor de áudio, mas se você já tiver uma pedaleira acaba economizando essa memória pra fazer mais coisas na mixagem (adicionar mais delays, gravar mais canais pra deixar o som mais "gordo" ou coisa do tipo). Uma das partes mais complicadas ($$$$) é monitorar o som: os monitores (vulgo "caixas de som") não costumam sair muito barato, então a opção mais barata são os fones. Existem diversas marcas boas atualmente, veja a que se encaixa no seu bolso.
Agora a coisa mais importante, que me fez lembrar do falecido Quorthon, é a seguinte: não interessa o equipamento que você tem, o importante é tentar extrair do seu equipamento o máximo possível, porque uma música ruim nunca vai se salvar com produção boa.


Links referentes:

Bathory: http://www.bathory.nu/x1.htm
Veilhalt: http://www.myspace.com/veilhalt
Estúdio AV Works (estúdio do mais mais recente trabaho): http://www.avworks.com.br/

2 comentários:

  1. Foda Quorthon foi minha inspiração, primeiro conheci as idéias dele, depois fui conhecer o som.. Depois disso comecei a fazer as coisas por mim.. Mesmo para ele não era um opção era uma necessidade.. pq sempre é bom ter pessoas com ponto de vista sensato perto de vc... Na época do Veïlhalt deu pra aprender varias coisas não só sobre som.. valeu por comentar.. abç

    Obs.: o 1º poste o google traduziu d portugues para portugues e deixou uma bagunça vai entender.. tenho um blog tbm nem lembrava tive q logar para conseguir escrever.. despois da uma olhada hehaeh

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  2. Muito legal saber sobre a produção de músicas em casa, eu nem imaginava como isso era feito...

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