terça-feira, 13 de julho de 2010

Mas por que você ouve música de revoltado?

Aproveitando o Dia Mundial do Rock (data tão festiva), decidi iniciar esse projeto de colocar meu ponto de vista sobre diversos assuntos, ligados de maneira direta ou indireta ao metal no Brasil e no mundo: espero que os fãs de metal (e as pessoas curiosas a respeito do estilo) possam aproveitar alguma coisa desse amontoado de palavras. O que diabos me dá respaldo para falar sobre isso? Fora fazer parte da cena com uma banda que está iniciando, não tem muito mais coisa. Mas como o papel e a tela do computador aceitam tudo,vejamos o que vai sair. Ok, começando de verdade agora.
A frase que dá título à primeira postagem desse blog é velha conhecida de muitas pessoas que ouvem música pesada. Todo o cara que começa a deixar o cabelo crescer, cria um gosto por roupas escuras (ou com estampas dos demônios do Dark Funeral, zumbis assassinos do Cannibal Corpse e afins) já teve que ouvir a ladainha de que estava sofrendo más influências, atraindo para si muita "energia negativa" por causa desse monte de barulho satânico, spikes e roupas escuras.
Já posso imaginar hoje à noite, a reportagem com um formato que se repete nos telejornais há um certo tempo: Elvis, Jimi Hendrix, Raul Seixas. Aí passa pelos punks (rapidinho por favor, não pode ter punk na tevê) e o pessoal do heavy metal, colocando a língua de fora e parecendo retardado mental.

Não vou perder meu tempo tentando derrubar todos os clichês que cercam as vertentes mais pesadas do rock, simplesmente porque quem quer a visão padronizada e fácil da coisa sempre vai preferir ouvir o ponto de vista com maior prestígio. O máximo que eu posso fazer é apresentar um ou outro argumento, com base em duas indicações que me parecem interessantes. O primeiro é o documentário "Metal: A headbanger's Journey". Um fã de metal formado em antropologia decide estudar a cultura heavy metal (finalmente alguém que não usa o termo "tribo" pra designar um grupo de pessoas), e entender por que ela trata de temas indigestos para a maioria das pessoas, entre outras coisas. A resposta a que ele chega realmente faz sentido para mim: muita gente gosta de lembrar só do lado bonito da vida, e o metal de certa forma faz com que as pessoas entrem em contato com suas regiões mais instintivas, através da música intensa e alta.
Outra citação interessante é a música Masters of Death, que está no disco Serpent Saints - The Ten Amendments (2007), da banda sueca de death metal Entombed. Essa música faz algo que está se tornando razoavelmente comum: listar as influências de uma banda dentro da música, mas a melhor parte na minha opinião é o trecho mais lento no meio da música, em que entra a s estrofes:

Darkness is living in me
Helping me see
Be all I can be
Whole, Hey! Ho!
We are Satan's people

I love it like you love Jesus
It does the same thing to my soul
Hey! Ho!
I got a life-long love for
The occult.

Podem continuar achando que fã de metal tá com raiva do mundo(diga-se de passagem, se estiver até tem bons motivos pra isso), que é tudo maluco e etc, essa parte da letra aí em cima já diz muito a respeito.


Referências citadas:

Dark Funeral: http://www.myspace.com/darkfuneral
Cannibal Corpse: http://www.myspace.com/cannibalcorpse
Metal: A Headbanger's Journey: http://www.metalhistory.com/
Entombed: http://www.myspace.com/serpentsaints


Por último e menos importante, o myspace da minha banda: www.myspace.com/discordiadeath

5 comentários:

  1. Grande Felipe!!
    Parabéns pelo artigo e continua mandando ver aí!!

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  2. Digamos que fez uma leiga entender melhor a essência do que vc realmente enxerga na cultura do metal.

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  3. gostei do texto...o sarcasmo e a ironia, típicos de vc, deixam ele bem engraçado em alguns pontos.
    prometo acompanhar o blog!

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  4. Achei muito interessante o artigo, e pode ficar certo que não é só você que se irrita ao ver a televisão mostrar o heavy metal como retardados fazendo sempre os mesmos gestos.
    Não sei se você viu, mas foi algo que me incomodou bastante, foi uma reportagem da Globo sobre o rock, mostrando o Metallica como uma banda de Thrash Metal e dando a entender que era sua banda "mais importante" e também que o Thrash Metal era o genêro mais pesado metal...
    Não mostrou absolutamente NADA sobre o Black Metal, o Death Metal ou o verdadeiro Thrash Metal, com bandas decentes como Kreator, Slayer, The Haunted, Sodom, etc.

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  5. Grande Felipe "Samura"... Interessante esse ponto de vista que vc forneceu. Como esse estilo musical (se assim posso chamar, pois sou leigo no assunto) é divulgado, nos faz parecer que seus seguidores são descontrolados, nervosos, perigosos, "que não querem nada com a vida". Assim acontece com metaleiros, rockeiros, skatistas, taekwondistas etc. Enfim, é assim que enxergamos o nosso mundo (ou melhor, é assim que nos fazem enxergar o nosso mundo). Jorge Jr.

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